Com 250 metros de comprimento e pesando cerca de 130 toneladas, um bloco de gordura entrou para o Guinness Book, o livro dos recordes . Essa gordura é conhecida como “fatberg”, um acúmulo de óleos descartados incorretamente nos ralos domésticos que vai parar na tubulação de esgoto das cidades. A crosta de gordura pode crescer a um ponto em que ela bloqueia os canos e se torna um bloco endurecido de difícil remoção. Foi isso que a população do distrito de Whitechapel, em Londres, na Inglaterra, enfrentou em 2017.

A resolução do problema malcheiroso envolveu uma equipe de trabalhadores de uma empresa de abastecimento e tratamento de água de Londres. Durante três semanas, eles quebraram o fatberg e o sugaram para dentro de caminhões-tanque com destino a uma usina de reciclagem.
“É frustrante, pois essas situações são totalmente evitáveis e causadas por gordura, óleo e graxa que são despejados nas pias e lenços umedecidos no vaso sanitário”, disse à época Matt Rimmer, chefe de redes de resíduos da Thames Water, ao The Guardian. “Verificamos nossos esgotos rotineiramente, mas essas coisas podem se acumular muito rapidamente e causar grandes problemas de inundação, pois os resíduos ficam bloqueados.”
Foram cerca de 220 mil libras (R$ 1,5 milhão) investidos para desbloquear a tubulação de esgoto, um valor que acabou se refletindo nas contas de água da população. Herança da Era Vitoriana (1837-1901), as extensas redes de esgoto londrinas são propensas ao surgimento de fatbergs, que já haviam se formado em 2014 e em 2015, com 80 e 40 metros de comprimento, respectivamente.
Em Whitechapel, uma tampa de bueiro no local da remoção da gordura homenageia o evento, que inspirou a criação de um musical, performances de drag queens e até mesmo sua réplica em um bolo de aniversário de criança.
O termo fatberg foi usado pela primeira vez para descrever pedaços de gordura de cozinha encontrados em uma praia no Reino Unido, e então foi adotado por trabalhadores de redes de esgoto londrinos, entrando para o dicionário de inglês Oxford em 2015 em referência à ideia de um iceberg de gordura (do inglês fat).
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