Ser primo de Isaac Newton devia ser realmente frustrante. Enquanto você está lá tentando aprender a montar um cubo mágico, o cara com 23 anos inventa o cálculo diferencial e integral, escreve um tratado que explica as leis do movimento, a gravidade, a luz e até como funcionam as órbitas dos planetas. Tudo isso enquanto inventa um telescópio com espelho porque não gostava das cores do antigo. Difícil competir.
Mas o que poucos sabem é que boa parte desse trabalho monumental foi feito em isolamento, durante um lockdown do século XVII. Sim, a peste bubônica forçou o fechamento da Trinity College em Cambridge por dois anos, e Newton — já formado e com uma bolsa de mestrado — teve que voltar para a casa da família em Woolsthorpe. Enquanto o mundo parava, ele acelerava. Enquanto a gente assiste vídeo de gatinho no TikTok, ele criava a física moderna.

“Já comi?” – Newton e a obsessão pelo trabalho
A rotina de Newton era qualquer coisa menos equilibrada. Passava entre 16 e 18 horas por dia estudando no quarto, à luz de velas, cercado por livros, anotações e teorias. Muitas vezes esquecia de comer. Quando lembrado da refeição à sua frente, perguntava “Já comi?” e dava umas garfadas antes de voltar ao trabalho como se nada tivesse acontecido.
Segundo o biógrafo Richard Westfall, Newton raramente dormia antes das 2 ou 3 da manhã, e às vezes só se deitava às 6 da manhã. O mais surpreendente? Ele acordava como se tivesse descansado a noite inteira. Recreação? Nada. Caminhadas? Nunca. Rir? Uma vez só. Literalmente. Um verdadeiro monge da ciência.
E tudo isso era movido por uma espécie de compulsão. Gale Christianson, outro biógrafo, descreve seu trabalho como “patologicamente viciante”, algo que Newton não conseguia interromper. Ele simplesmente seguia em frente até colapsar.
Mas e a saúde mental?
Com uma rotina dessas, não é de espantar que, na década de 1690, Newton tenha sofrido surtos nervosos e esgotamento mental. A causa provável? Falta de sono, de descanso e de equilíbrio. Ele pode até ter mudado o mundo, mas pagou um preço pessoal altíssimo.
O mito de que ele “trabalhava 18 horas por dia, 7 dias por semana” circula hoje até em trends do TikTok. Mas atenção: não é um modelo a ser seguido. Mesmo os gênios têm limites — e ultrapassá-los pode trazer consequências sérias.
Inspiração sim, imitação nem sempre
A história de Newton serve de inspiração, sem dúvida. Mostra como momentos de isolamento podem gerar ideias revolucionárias. Mas também é um alerta: nem todo sacrifício vale a pena. O equilíbrio entre dedicação e autocuidado é essencial, até mesmo para quem pretende mudar o mundo.
Então da próxima vez que você se sentir culpado por não estar “produzindo” o tempo todo, lembre-se: você não precisa ser o Newton do século XXI. E sinceramente? Nem ele dava conta de ser Newton o tempo todo.

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