Você já ouviu falar do “ouro bovino”? O termo pode soar estranho à primeira vista, mas se refere a um tesouro real escondido dentro dos bois: as pedras de vesícula biliar. Muito valorizadas pela medicina tradicional chinesa, essas pedras têm sido objeto de um comércio internacional milionário — com valores que superam, por grama, até o ouro mais puro.

O que são essas pedras e por que valem tanto?
Esses cálculos biliares bovinos geralmente surgem em animais mais velhos e têm entre 1 e 3 centímetros de diâmetro, com peso médio de 10 gramas. São raras: a chance de encontrá-las em um boi é de uma em cada 500 cabeças. Sua coloração dourada ou marrom-castanha é um indicativo de pureza, sendo essa última a mais valorizada no mercado.
Utilização na medicina chinesa
Segundo a Farmacopeia Chinesa, essas pedras possuem natureza refrescante e doce, com associação aos meridianos do coração e do fígado. São usadas há séculos para tratar:
- Febre alta
- Inflamações cerebrais
- Convulsões
- Derrames
- Inconsciência
- Desintoxicação geral do organismo
Elas fazem parte de fórmulas tradicionais em pílulas, amplamente utilizadas na Ásia.
Valem mais que ouro
Em 2024, o preço do grama dessas pedras chegou a US$ 230 (R$ 1.300), enquanto o grama do ouro 24k gira em torno de R$ 600. Ou seja, uma única pedra de 10 gramas pode valer até R$ 13.000 — mais do que toda a carne de uma vaca.
O mercado é tão valioso que, só em 2023, Hong Kong importou R$ 1,2 bilhão em pedras biliares bovinas, com destaque para o Brasil, Austrália, Colômbia, Argentina, EUA e Paraguai como principais exportadores.
Brasil: gigante na exportação e alvo do crime organizado
Maior exportador de gado do mundo, o Brasil é também um dos maiores fornecedores dessas pedras preciosas. O potencial de lucro é tão alto que organizações criminosas já estão de olho: em São João da Boa Vista (SP), criminosos armados roubaram quase R$ 300 mil em pedras de vesícula durante um assalto a uma fazenda.
Um negócio bilionário e pouco conhecido
Segundo José de Oliveira, diretor da empresa Oxgall, especializada no comércio desses cálculos, os valores variam conforme a cor e pureza. “Pagamos entre R$ 340 e R$ 800 por grama, dependendo da qualidade”, afirmou em entrevista ao Wall Street Journal.
A frase final resume bem o fenômeno:
“Pra que ouro quando você tem vacas?”
O “ouro bovino” é, sem dúvida, um dos tesouros mais inusitados e valiosos escondidos nos pastos do mundo.
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