No próximo dia 12 de outubro, um dos símbolos mais marcantes das viagens internacionais começará a desaparecer: os tradicionais carimbos de passaporte. Nessa data, 29 países europeus irão adotar oficialmente um novo sistema de controle de fronteira baseado em biometria, substituindo o processo manual que há séculos acompanha os viajantes. A coincidência curiosa é que a mudança ocorrerá justamente no aniversário da chegada de Colombo às Américas — um marco histórico de interconexão mundial.

O novo sistema de Entrada/Saída
O mecanismo, batizado de Sistema de Entrada/Saída, registrará dados biométricos como impressões digitais e reconhecimento facial. O objetivo, segundo a União Europeia, é duplo: tornar a passagem por fronteiras mais ágil e ao mesmo tempo reforçar a segurança nos aeroportos. Trata-se de uma mudança significativa em países que recebem milhões de turistas todos os anos, como França, Espanha, Itália e Alemanha.
Passaportes analógicos em declínio
Ainda que essa transformação seja histórica, a Europa não é a primeira a trilhar esse caminho. Austrália, Coreia do Sul, Hong Kong, além de vizinhos latino-americanos como Argentina e Peru, já utilizam tecnologias semelhantes há algum tempo. O Aeroporto de Changi, em Singapura, considerado um dos melhores do mundo, aboliu por completo o uso do passaporte físico em 2023, utilizando apenas cabines automatizadas com biometria para entrada e saída de passageiros.
Por ora, o passaporte físico não desaparece de vez. Em muitos destinos ele continuará sendo exigido, servindo como documento de apoio em caso de falhas ou em aeroportos que ainda não aderiram à digitalização. Mas a tendência aponta para um futuro em que o documento em papel será cada vez mais dispensável.
Um futuro sem papelada
Segundo estudo da consultoria Oliver Wyman, até 2030 a biometria deverá ser mais utilizada do que a checagem manual nos aeroportos. Já para 2050, a previsão é de uma identidade digital global reconhecida universalmente, unificando passaportes, cartões de embarque, vistos, certidões e até carteiras de vacinação em um só registro na nuvem, acessível apenas com o reconhecimento facial.
Isso significa que a experiência de viagem terá menos burocracia e papelada, mas também que o tradicional passaporte — símbolo de aventura e mobilidade — poderá se tornar apenas uma memória nostálgica.
A história do passaporte físico
O termo “passaporte” tem origem no francês antigo passeport e surgiu no século XVI, quando documentos autorizavam a entrada ou saída de portos e cidades fortificadas. No Brasil, ele foi adotado em 1820, antes mesmo da Independência.
O formato moderno, parecido com o que conhecemos hoje, só se consolidou após a Primeira Guerra Mundial, quando a Liga das Nações (antecessora da ONU) incentivou a padronização global. Antes disso, o documento variava em tamanho e conteúdo: alguns não tinham foto, outros incluíam descrições físicas como “nariz grande” ou “cabelos loiros”. Era comum, inclusive, ver fotografias coladas manualmente, pessoas sorrindo ou posando com chapéus, animais ou instrumentos musicais.
Quando finalmente foi estabelecido o modelo com foto séria, capa rígida e páginas para carimbos, o passaporte tornou-se mais do que um documento oficial: virou símbolo da experiência de viajar. Os carimbos, em especial, transformaram-se em lembranças personalizadas, marcando cada destino e atribuindo status a quem exibia um passaporte recheado de selos.
Memória e valor histórico
Para especialistas como Tom Topol, colecionador e estudioso do tema, a transição para o digital é inevitável. “A tecnologia sem contato e a autenticação biométrica estão redefinindo a forma como viajamos. É preciso se adaptar”, explica.
Ele ressalta que a praticidade e a segurança aumentam, mas que os passaportes físicos terão valor histórico e até comercial. Prova disso é que o passaporte de Marilyn Monroe foi leiloado em 2007 por mais de 115 mil dólares. No futuro, os antigos documentos com carimbos poderão se tornar verdadeiras relíquias para colecionadores.
Conclusão
A digitalização dos passaportes representa um novo capítulo na história das viagens. Os carimbos físicos, que durante décadas deram identidade única a cada documento, estão se transformando em memórias do passado. O futuro aponta para uma era em que a tecnologia será a chave de entrada para o mundo, sem papelada e com um simples olhar para a câmera.
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