O enigma do Homem de Marree: o gigantesco geoglifo australiano que intriga o mundo desde 1998

Em junho de 1998, pilotos que cruzavam o árido interior do sul da Austrália se depararam com algo absolutamente improvável: no solo avermelhado do planalto de Finniss Springs, surgia a figura colossal de um homem nu segurando um possível bumerangue ou bastão de arremesso. Visível apenas do alto, o desenho tinha 3,5 km de comprimento e 28 km de perímetro, tornando-se instantaneamente um dos maiores geoglifos já registrados no planeta. Assim nascia o famoso Homem de Marree, ou “Gigante de Stuart”, um dos mistérios modernos mais intrigantes da arte terrestre.

Mistério desde o primeiro dia

A figura surgiu repentinamente entre 27 de maio e 12 de junho de 1998, conforme revelam imagens de satélite. Poucos dias depois, hotéis da região receberam um fax anônimo com coordenadas exatas e uma suposta reivindicação de autoria. O texto, repleto de expressões americanas, despertou ainda mais desconfiança e deu origem à hipótese de envolvimento estrangeiro.

Segundo o Observatório da Terra da NASA, o geoglifo parece ter sido criado com máquinas de terraplenagem guiadas por um sistema de GPS rudimentar, algo tecnologicamente ousado para a época. Mesmo assim, quase trinta anos depois, não existe qualquer confirmação oficial sobre quem fez o desenho – e como.

Suspeitos, pistas e nenhuma resposta

As teorias se multiplicam.
Uma das mais citadas aponta para Bardius Goldberg, artista de Adelaide que teria contado a amigos ser o responsável, embora nunca tenha surgido prova concreta. Outras suspeitas recaem sobre militares americanos, já que uma pequena placa com a bandeira dos EUA foi encontrada próximo à cabeça da figura, alimentando boatos sobre experimentos ou brincadeiras de pessoal de bases aéreas próximas.

Em 2018, o explorador Dick Smith chegou a oferecer uma recompensa de 5 mil dólares australianos a quem provasse a autoria. Ninguém apareceu.

Quase apagado, quase renascido

O clima seco, o vento e a erosão quase fizeram o gigante desaparecer ao longo dos anos. Em 2016, moradores da região decidiram restaurá-lo com o auxílio de escavadeiras modernas e GPS de alta precisão. Os novos sulcos foram projetados para reter água da chuva e incentivar o crescimento de vegetação, garantindo que o contorno permaneça visível por décadas.

Hoje, o Homem de Marree pode ser visto até do espaço – uma marca silenciosa no deserto, combinando arte, mistério e a vastidão da paisagem australiana.

Transformado em símbolo cultural da região, ele continua desafiando pesquisadores, curiosos e amantes de enigmas. Quase trinta anos depois, permanece a mesma pergunta que surgiu em 1998: quem criou o gigante? E por quê?

Comments

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *