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  • A verdadeira origem da cantiga “Escravos de Jó”: entre fé, resistência e memória africana

    A verdadeira origem da cantiga “Escravos de Jó”: entre fé, resistência e memória africana

    O nome é amplamente conhecido graças ao Livro de Jó, no Antigo Testamento, que narra a história de um homem rico e temente a Deus, dono de milhares de ovelhas, camelos, bois e servos. Segundo a narrativa, Deus permite que o diabo teste a fé de Jó, tirando-lhe tudo: bens, família e saúde. Mesmo diante da dor, Jó mantém a sua fé, tornando-se símbolo de resiliência e obediência divina. No fim, Deus o recompensa, restaurando suas riquezas e família.

    No entanto, apesar da familiaridade do nome, o Jó bíblico e a cantiga brasileira “Escravos de Jó” não têm ligação direta. A confusão nasce da homonímia, mas as origens da canção são bem mais profundas e ligadas à história da escravidão no Brasil.

    “Escravos de njó”: a interpretação africana da cantiga

    De acordo com a linguista Yeda Pessoa de Castro, uma das maiores especialistas em línguas africanas no Brasil, o nome original da cantiga provavelmente era “escravos de njó”, e não “escravos de Jó”.
    O termo “njó” vem do quimbundo, idioma bantu falado em Angola, e significa “da casa” ou “doméstico”. Assim, a expressão “escravos de njó” se referiria às pessoas escravizadas que trabalhavam dentro das casas senhoriais durante o período colonial brasileiro.

    Yeda também explica que o “caxangá” mencionado na canção pode se referir a um jogo de tabuleiro tradicional africano, usado tanto como forma de lazer quanto como prática simbólica de resistência e preservação cultural.

    O enigma do “caxangá” e suas múltiplas origens

    A palavra “caxangá” possui diversas interpretações possíveis. Alguns estudiosos a associam ao tupi antigo, com significados ligados à natureza, como “mata estendida” (caa-çanáb) ou “mato do vale dilatado” (caa-çang-guá).
    Curiosamente, “Caxangá” é também o nome de um bairro de Recife, um tipo de chapéu redondo usado por marinheiros e até de um siri (siri-caxangá).
    Além disso, Milton Nascimento e Fernando Brant eternizaram o termo em sua canção Caxangá, que fala sobre o trabalho, os sonhos e a resistência do povo brasileiro — uma temática que ecoa, de certa forma, a origem ancestral da cantiga infantil.

    “Zigue-zigue-zá”: a senha para a liberdade

    O livro Memória das Palavras Afro-brasileiras (2024), publicado em parceria entre o Governo Federal, a Fundação Cultural Palmares e a Universidade Federal do Paraná, apresenta uma teoria marcante: “Escravos de Jó” seria uma versão colonizada da música africana “Guerreiros Nagô”, entoada por escravizados após longos dias de trabalho.

    Segundo essa tradição oral, o verso “fazem zigue-zigue-zá” representava o momento da fuga, em que os escravos corriam em ziguezague para despistar os capitães do mato.
    A canção, portanto, teria dupla função: entretenimento e resistência. Ao transformá-la em um jogo infantil, os senhores de engenho teriam domesticado o seu sentido original, forçando os escravizados a cantá-la sentados e passando um objeto de mão em mão, transformando o gesto de fuga em um ato de submissão simbólica.

    Entre o sagrado e o profano: uma canção de resistência

    Reunindo todas essas interpretações, “Escravos de Jó” pode ser entendida como um legado de resistência africana disfarçado de brincadeira popular.
    Os “escravos de njó” seriam, portanto, os africanos escravizados que cantavam e jogavam em segredo, preparando-se para fugir em grupo para os quilombos — o “mato do caxangá” —, movendo-se em ziguezague para confundir seus perseguidores.

    Embora a verdadeira origem possa jamais ser totalmente confirmada, a cantiga permanece como um símbolo poderoso da herança afro-brasileira, onde música, fé e liberdade se entrelaçam em uma narrativa que resiste ao esquecimento.

  • O verdadeiro açafrão: história, curiosidades e diferenças com a cúrcuma

    O verdadeiro açafrão: história, curiosidades e diferenças com a cúrcuma

    O açafrão verdadeiro, obtido dos estigmas secos da flor Crocus sativus, é cultivado pela humanidade há mais de 4 mil anos. Acredita-se que tenha sido domesticado na ilha de Creta, na Grécia, durante a Idade do Bronze, e que depois tenha se espalhado pelo Egito e pela Pérsia. Sua cor amarela intensa e seu aroma doce fizeram dele um tempero valioso e símbolo de luxo.

    Na Grécia antiga, o açafrão era usado para tingir o cabelo; na Pérsia, para colorir tecidos e tapetes; e no Egito, ganhou fama na culinária e até como afrodisíaco. Diz-se que Cleópatra o utilizava em banhos com leite, e Alexandre, o Grande, acreditava que o açafrão ajudava na cicatrização de ferimentos.

    Hoje, ele continua sendo ingrediente essencial em pratos tradicionais como a paella espanhola, o tahine marroquino, a bouillabaisse francesa e a galinhada brasileira. No entanto, o que muitos chamam de “açafrão” no Brasil é, na verdade, cúrcuma (Curcuma longa), uma planta completamente diferente. A cúrcuma vem da raiz, tem coloração alaranjada e preço acessível, enquanto o açafrão verdadeiro vem da flor e é considerado o tempero mais caro do mundo.

    A razão do alto valor está no processo artesanal e delicado de produção. Cada flor de Crocus sativus possui apenas três estigmas, colhidos manualmente antes do nascer do Sol, em um curto período entre outubro e novembro. São necessárias cerca de 75 mil flores para produzir meio quilo de açafrão, e um quilo pode ultrapassar R$ 70 mil, dependendo da pureza e da origem.

    Depois da colheita, os estigmas são desidratados com cuidado para manter o sabor e a cor, e depois embalados a vácuo. Por esse motivo, nenhuma etapa pode ser feita por máquinas.

    Atualmente, a Espanha é a principal produtora e consumidora, seguida por Irã, Grécia, Turquia, Itália e Índia. No Brasil, o açafrão verdadeiro é raro, mas pode ser encontrado em lojas especializadas — uma especiaria que carrega séculos de história, tradição e o sabor inconfundível do luxo natural.

  • O fim dos carimbos? A revolução digital dos passaportes na Europa

    O fim dos carimbos? A revolução digital dos passaportes na Europa

    No próximo dia 12 de outubro, um dos símbolos mais marcantes das viagens internacionais começará a desaparecer: os tradicionais carimbos de passaporte. Nessa data, 29 países europeus irão adotar oficialmente um novo sistema de controle de fronteira baseado em biometria, substituindo o processo manual que há séculos acompanha os viajantes. A coincidência curiosa é que a mudança ocorrerá justamente no aniversário da chegada de Colombo às Américas — um marco histórico de interconexão mundial.

    O novo sistema de Entrada/Saída

    O mecanismo, batizado de Sistema de Entrada/Saída, registrará dados biométricos como impressões digitais e reconhecimento facial. O objetivo, segundo a União Europeia, é duplo: tornar a passagem por fronteiras mais ágil e ao mesmo tempo reforçar a segurança nos aeroportos. Trata-se de uma mudança significativa em países que recebem milhões de turistas todos os anos, como França, Espanha, Itália e Alemanha.

    Passaportes analógicos em declínio

    Ainda que essa transformação seja histórica, a Europa não é a primeira a trilhar esse caminho. Austrália, Coreia do Sul, Hong Kong, além de vizinhos latino-americanos como Argentina e Peru, já utilizam tecnologias semelhantes há algum tempo. O Aeroporto de Changi, em Singapura, considerado um dos melhores do mundo, aboliu por completo o uso do passaporte físico em 2023, utilizando apenas cabines automatizadas com biometria para entrada e saída de passageiros.

    Por ora, o passaporte físico não desaparece de vez. Em muitos destinos ele continuará sendo exigido, servindo como documento de apoio em caso de falhas ou em aeroportos que ainda não aderiram à digitalização. Mas a tendência aponta para um futuro em que o documento em papel será cada vez mais dispensável.

    Um futuro sem papelada

    Segundo estudo da consultoria Oliver Wyman, até 2030 a biometria deverá ser mais utilizada do que a checagem manual nos aeroportos. Já para 2050, a previsão é de uma identidade digital global reconhecida universalmente, unificando passaportes, cartões de embarque, vistos, certidões e até carteiras de vacinação em um só registro na nuvem, acessível apenas com o reconhecimento facial.

    Isso significa que a experiência de viagem terá menos burocracia e papelada, mas também que o tradicional passaporte — símbolo de aventura e mobilidade — poderá se tornar apenas uma memória nostálgica.

    A história do passaporte físico

    O termo “passaporte” tem origem no francês antigo passeport e surgiu no século XVI, quando documentos autorizavam a entrada ou saída de portos e cidades fortificadas. No Brasil, ele foi adotado em 1820, antes mesmo da Independência.

    O formato moderno, parecido com o que conhecemos hoje, só se consolidou após a Primeira Guerra Mundial, quando a Liga das Nações (antecessora da ONU) incentivou a padronização global. Antes disso, o documento variava em tamanho e conteúdo: alguns não tinham foto, outros incluíam descrições físicas como “nariz grande” ou “cabelos loiros”. Era comum, inclusive, ver fotografias coladas manualmente, pessoas sorrindo ou posando com chapéus, animais ou instrumentos musicais.

    Quando finalmente foi estabelecido o modelo com foto séria, capa rígida e páginas para carimbos, o passaporte tornou-se mais do que um documento oficial: virou símbolo da experiência de viajar. Os carimbos, em especial, transformaram-se em lembranças personalizadas, marcando cada destino e atribuindo status a quem exibia um passaporte recheado de selos.

    Memória e valor histórico

    Para especialistas como Tom Topol, colecionador e estudioso do tema, a transição para o digital é inevitável. “A tecnologia sem contato e a autenticação biométrica estão redefinindo a forma como viajamos. É preciso se adaptar”, explica.

    Ele ressalta que a praticidade e a segurança aumentam, mas que os passaportes físicos terão valor histórico e até comercial. Prova disso é que o passaporte de Marilyn Monroe foi leiloado em 2007 por mais de 115 mil dólares. No futuro, os antigos documentos com carimbos poderão se tornar verdadeiras relíquias para colecionadores.

    Conclusão

    A digitalização dos passaportes representa um novo capítulo na história das viagens. Os carimbos físicos, que durante décadas deram identidade única a cada documento, estão se transformando em memórias do passado. O futuro aponta para uma era em que a tecnologia será a chave de entrada para o mundo, sem papelada e com um simples olhar para a câmera.

  • Uma montanha de parmesão e a longa história do queijo

    Uma montanha de parmesão e a longa história do queijo

    No século 14, em meio ao clima sombrio deixado pela peste negra, Giovanni Boccaccio escreveu o Decamerão, uma coleção de novelas repletas de humor e sátira. Em uma delas, três pintores florentinos partem em busca de uma pedra mágica chamada heliotropo e acabam chegando a Bengodi, uma terra imaginária de abundância sem limites. Ali, segundo o autor, havia uma montanha feita de queijo parmesão ralado, de onde caíam macarrão e ravioli cozidos em caldo de capão, enquanto riachos de vinho Vernaccia corriam livremente. Uma imagem fantástica, que mistura fome medieval, criatividade literária e o fascínio por um alimento que já era considerado nobre: o parmesão.

    O nascimento do parmesão e a tradição italiana

    O queijo parmesão surgiu no século 12, entre Parma e Reggio Emilia, quando monges beneditinos e cistercienses desenvolveram técnicas para produzir um queijo duro, de longa maturação e fácil de conservar. A fama se espalhou rapidamente, e no tempo de Boccaccio já era uma iguaria de prestígio. Até hoje, o Parmigiano Reggiano é símbolo de qualidade e uma das maiores expressões da cultura alimentar italiana.

    As origens mais antigas do queijo

    Embora o parmesão seja célebre, o queijo em si é muito mais antigo. Estudos arqueológicos indicam que sua invenção remonta à domesticação de ovelhas, há 8 a 10 mil anos. Em 2013, um estudo publicado na revista Nature mostrou resíduos de gordura láctea em cerâmicas perfuradas do sexto milênio a.C. no norte da Europa — evidência clara de que o queijo já era fabricado há cerca de 7 mil anos.

    A tradição também aparece na mitologia grega, com o deus Aristeu, patrono da agricultura e da fabricação de queijos, e na Odisseia, onde Polifemo coalha o leite de suas cabras e o conserva em cestos. Já os romanos não só consumiam como documentaram variedades regionais. Plínio, o Velho, no ano 77, descreveu queijos frescos e maduros e exaltou os mais apreciados em Roma. As legiões, por sua vez, marchavam abastecidas com Pecorino Romano, resistente e nutritivo, ainda hoje produzido com receita semelhante.

    Queijos milenares e descobertas arqueológicas

    Um dos achados mais fascinantes aconteceu em 2018: arqueólogos encontraram um queijo de 3.200 anos em uma tumba egípcia. O alimento, preservado em um vaso, tornou-se a prova definitiva de que os antigos egípcios também dominavam a técnica, já sugerida em murais e registros funerários. Esse é, até hoje, o queijo mais antigo encontrado no planeta.

    A expansão do queijo pelo mundo

    A produção de queijos se espalhou pela Europa medieval. O Gorgonzola começou a ser feito no Vale do Pó em 879 d.C., enquanto o Roquefort aparece em documentos do mosteiro de Conques em 1070. Com a colonização inglesa, o queijo cruzou o Atlântico no século 17 e ganhou espaço nas Américas, especialmente nos Estados Unidos.

    No Brasil, o queijo chegou com os portugueses. A criação de gado leiteiro tornou-se essencial após o descobrimento. No século 17, durante o Ciclo da Mineração, a produção se intensificou em Minas Gerais, Bahia, Goiás e Mato Grosso. Na Serra da Canastra nasceu o Queijo Minas Artesanal, que hoje é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo IPHAN. Outras variedades típicas brasileiras incluem o Queijo Coalho, tradicional do Nordeste, o Colonial do Sul, o Serrano do Rio Grande do Sul e o requeijão, amplamente difundido no Sudeste e no Nordeste.

    Um alimento universal

    Atualmente, estima-se que existam pelo menos 400 tipos de queijo catalogados, embora alguns registros falem em mais de mil variedades. Do parmesão ao gorgonzola, do cheddar ao minas artesanal, o queijo continua a unir culturas, atravessar fronteiras e reinventar tradições.

    Se Boccaccio tivesse razão, viver em um mundo onde montanhas de parmesão alimentassem multidões talvez fosse uma fantasia irresistível. Mas, de certa forma, sua metáfora já se realizou: o queijo tornou-se uma paixão universal e um dos símbolos mais ricos da criatividade humana na cozinha.

  • Cristo do Abismo: a estátua submersa que guarda histórias no Mediterrâneo

    Cristo do Abismo: a estátua submersa que guarda histórias no Mediterrâneo

    O Cristo do Abismo é uma das obras subaquáticas mais impressionantes do mundo. Localizado a cerca de 18 metros de profundidade na costa da Ligúria, no mar Mediterrâneo, o monumento foi instalado em 1954 e se tornou um verdadeiro ponto de referência para mergulhadores e turistas. Criado pelo escultor Guido Galletti, ele nasceu da ideia do mergulhador Duilio Marcante, que queria prestar homenagem ao amigo Dario Gonzatti, pioneiro do mergulho com equipamentos modernos, morto em 1947 durante um teste.

    A estátua mede aproximadamente 2,5 metros de altura e retrata Jesus Cristo com os braços erguidos em sinal de oferenda e proteção. Foi feita a partir da fusão de fragmentos de navios, canhões, medalhas e troféus, simbolizando a união entre fé, sacrifício e memória coletiva. Para garantir sua fixação, a base foi preenchida com cimento, permitindo que a escultura permanecesse firme mesmo em meio às correntes marítimas.

    Desde a sua colocação, o Cristo do Abismo se tornou um dos pontos de mergulho mais visitados do Mediterrâneo. Porém, por estar imerso em um ecossistema marinho rico em vida, precisa de manutenções regulares. Desde 2004, mergulhadores da polícia italiana realizam a limpeza com jatos de água pressurizada do próprio mar, método que não danifica o bronze e nem prejudica o ambiente. Antes disso, a escultura era raspada com escovas de metal, técnica abandonada após causar arranhões e até a queda de uma das mãos da imagem.

    A popularidade da obra inspirou réplicas em outras partes do mundo: uma submersa em Key Largo, na Flórida, e outra instalada na superfície da costa de Granada. Ainda assim, a versão italiana segue sendo a mais famosa, atraindo mergulhadores de todo o planeta e mantendo vivo o elo entre arte, fé e o mistério das profundezas do mar.

  • Graham Barratt – O horticultor britânico que quebrou quatro recordes mundiais em uma única temporada

    Graham Barratt – O horticultor britânico que quebrou quatro recordes mundiais em uma única temporada

    Ter uma “mão boa” para a horticultura exige paciência, dedicação e domínio de técnicas avançadas de cultivo, e o britânico Graham Barratt, de Gloucestershire, provou ser um verdadeiro mestre nessa arte. Em menos de dois meses, o horticultor conquistou quatro recordes mundiais reconhecidos pelo Guinness World Records, um feito impressionante que o colocou entre os maiores nomes da horticultura mundial.

    Em 18 de agosto, Barratt entrou oficialmente para a história ao registrar marcas extraordinárias: a maior vagem de ervilha já cultivada, a vagem mais longa do mundo, o tomate verde (tomatillo) mais pesado e a bucha vegetal mais pesada e mais comprida — dois recordes conquistados simultaneamente. Esse desempenho notável é resultado de anos de experiência e de uma busca incessante por sementes raras, métodos de cultivo inovadores e condições ideais para o crescimento de frutas e vegetais gigantes.

    A jornada para esse sucesso começou há mais de uma década, quando Barratt passou a cultivar frutas e vegetais em uma fazenda comunitária. Inicialmente, seu objetivo era competir amigavelmente com vizinhos no cultivo de cebolas grandes, mas a paixão pelo desafio cresceu e se transformou em dedicação total. Ele se especializou em testar novas espécies e técnicas de plantio, buscando constantemente maneiras de superar limites.

    O clima do Reino Unido teve um papel crucial em suas conquistas. Primaveras amenas e verões longos favoreceram o amadurecimento precoce de várias espécies, permitindo que Barratt se aventurasse também no cultivo de vegetais exóticos, algo desafiador para a região. Com o auxílio de estufas de polietileno e propagadores modernos, ele conseguiu criar condições perfeitas para obter resultados surpreendentes.

    A sequência de recordes começou em 2 de junho, quando sua vagem de ervilha atingiu 18 cm de comprimento, superando o recorde anterior de 16,5 cm estabelecido em 2009. A façanha só foi possível graças a uma variedade rara de sementes enviadas da Espanha na década de 1970, conhecida como “JI2144”.

    Em 11 de julho, Barratt conquistou seu segundo título com o tomatillo mais pesado do mundo, pesando 140 gramas — quase quatro vezes o tamanho médio da fruta tradicionalmente usada na culinária mexicana. O resultado superou em 36 gramas o recorde anterior, pertencente ao alemão Patrick Teichmann.

    Finalmente, no dia 28 de julho, vieram os dois últimos recordes, ambos conquistados de uma só vez: a bucha vegetal mais longa do mundo, medindo impressionantes 1,396 metro, e a mais pesada, com 2,86 kg. Para se ter uma ideia, os antigos recordes eram de apenas 10 cm e 0,2 kg, mostrando a dimensão extraordinária da conquista.

    Apesar dos sucessos recentes, a trajetória de Barratt também inclui desafios. Em setembro de 2024, ele chegou a deter o recorde do aipo-rábano mais pesado, com 6,33 kg, mas perdeu o título em apenas uma semana para Curtis Leach, que cultivou um exemplar de 6,60 kg. Essa disputa saudável, no entanto, não diminui a importância do feito — pelo contrário, estimula a inovação e a troca de conhecimento entre os produtores.

    Barratt destaca que o ambiente competitivo vem acompanhado de colaboração e amizade. Ele faz parte de uma comunidade de horticultores que compartilham técnicas, sementes e experiências, transformando cada feira agrícola em uma celebração da criatividade e da dedicação ao cultivo. Para ele, ver o encantamento do público diante de vegetais gigantes é tão gratificante quanto bater recordes.

    Com quatro títulos mundiais em mãos e uma carreira dedicada à experimentação, Graham Barratt consolidou seu nome entre os maiores horticultores do planeta. Seu trabalho prova que, com paixão, paciência e inovação, é possível transformar até os vegetais mais comuns em verdadeiras obras-primas da natureza.

  • Kokichi Akuzawa, aos 102 anos, quebra recorde ao escalar o Monte Fuji

    Kokichi Akuzawa, aos 102 anos, quebra recorde ao escalar o Monte Fuji

    Kokichi Akuzawa, um japonês de 102 anos, acaba de entrar para a história ao se tornar a pessoa mais velha a alcançar o cume do Monte Fuji, o pico mais alto do Japão, com 3.776 metros de altitude. O feito impressionante, reconhecido pelo Guinness World Records, foi conquistado no dia 5 de agosto de 2025, após uma escalada de três dias pela trilha Yoshida, considerada a rota mais acessível para chegar ao topo.

    Presidente honorário do Clube de Montanhismo de Gunma e experiente alpinista, Akuzawa já havia subido o Monte Fuji aos 96 anos e coleciona conquistas em diversas montanhas pelo Japão. Para se preparar para o novo desafio, acordava cedo diariamente para caminhar e treinar em percursos próximos de casa. No entanto, a jornada até o recorde não foi fácil: durante os meses de preparação, sofreu um acidente, enfrentou insuficiência cardíaca e até herpes zóster, mas conseguiu se recuperar.

    A subida, que normalmente leva cerca de seis horas para os mais preparados, foi feita com calma, dividida em três dias e duas pernoites em abrigos. O clima colaborou nos primeiros dois dias, mas o terceiro trouxe dificuldades devido à alta altitude, com menos oxigênio e temperaturas mais baixas. Foi nesse momento que a filha de Akuzawa, Motoe, de 70 anos, o incentivou a continuar. Ao chegar ao cume, ele assinou o livro de visitantes Okumiya, no Santuário Fujisan Hongu Sengen Taisha, e celebrou ao lado de amigos e familiares.

    Após receber o certificado oficial do Guinness, Akuzawa afirmou que, por enquanto, não pretende repetir a escalada, mas deixou no ar uma possibilidade:

    “Se você me perguntar no ano que vem, talvez a resposta seja diferente. Mas, por enquanto, estou feliz com essa conquista.”

    Um exemplo de determinação e superação, Akuzawa mostra que idade não é limite quando há preparo, disciplina e paixão pelo que se faz.

  • Finalistas do Ocean Photographer of the Year 2025 revelam momentos raros de conexão entre humanos e vida marinha

    Finalistas do Ocean Photographer of the Year 2025 revelam momentos raros de conexão entre humanos e vida marinha

    O Ocean Photographer of the Year 2025 revelou os finalistas e trouxe imagens impressionantes que capturam momentos raros da interação entre humanos, animais marinhos e a imensidão do oceano. A premiação celebra não apenas a beleza do ambiente marinho, mas também chama atenção para os desafios ambientais que ameaçam a vida no planeta. Os vencedores serão anunciados em setembro, mas a lista de finalistas já emociona e inspira.

    Segundo Will Harrison, diretor do concurso, a fotografia oceânica se tornou ainda mais importante diante das crises climáticas e da perda de biodiversidade: “Essas imagens não são apenas arte; são documentos urgentes do que está em risco. Sem ação, muito do que vemos hoje pode desaparecer”.

    Em 2025, o prêmio contempla sete categorias:

    • Fine Art Photographer of the Year
    • Wildlife Photographer of the Year
    • Adventure Photographer of the Year
    • Conservation (Impact) Photographer of the Year
    • Conservation (Hope) Photographer of the Year
    • Human Connection Award: People & Planet Ocean
    • Young Photographer of the Year

    Uma das imagens mais marcantes é a do finalista Yifan Ling, que registrou um momento único no Puget Sound, nos Estados Unidos: uma orca selvagem saltando a poucos metros de uma amiga do fotógrafo, capturando perfeitamente a conexão entre humanos e a vida marinha.

    A categoria Human Connection Award: People & Planet Ocean reúne cliques que mostram como a presença humana pode se entrelaçar com a natureza de forma harmoniosa e respeitosa, reforçando a importância de preservar os ecossistemas marinhos.

  • Pedras de vesícula de boi: o “ouro bovino” que vale mais do que ouro 24k

    Pedras de vesícula de boi: o “ouro bovino” que vale mais do que ouro 24k

    Você já ouviu falar do “ouro bovino”? O termo pode soar estranho à primeira vista, mas se refere a um tesouro real escondido dentro dos bois: as pedras de vesícula biliar. Muito valorizadas pela medicina tradicional chinesa, essas pedras têm sido objeto de um comércio internacional milionário — com valores que superam, por grama, até o ouro mais puro.

    O que são essas pedras e por que valem tanto?

    Esses cálculos biliares bovinos geralmente surgem em animais mais velhos e têm entre 1 e 3 centímetros de diâmetro, com peso médio de 10 gramas. São raras: a chance de encontrá-las em um boi é de uma em cada 500 cabeças. Sua coloração dourada ou marrom-castanha é um indicativo de pureza, sendo essa última a mais valorizada no mercado.

    Utilização na medicina chinesa

    Segundo a Farmacopeia Chinesa, essas pedras possuem natureza refrescante e doce, com associação aos meridianos do coração e do fígado. São usadas há séculos para tratar:

    • Febre alta
    • Inflamações cerebrais
    • Convulsões
    • Derrames
    • Inconsciência
    • Desintoxicação geral do organismo

    Elas fazem parte de fórmulas tradicionais em pílulas, amplamente utilizadas na Ásia.

    Valem mais que ouro

    Em 2024, o preço do grama dessas pedras chegou a US$ 230 (R$ 1.300), enquanto o grama do ouro 24k gira em torno de R$ 600. Ou seja, uma única pedra de 10 gramas pode valer até R$ 13.000mais do que toda a carne de uma vaca.

    O mercado é tão valioso que, só em 2023, Hong Kong importou R$ 1,2 bilhão em pedras biliares bovinas, com destaque para o Brasil, Austrália, Colômbia, Argentina, EUA e Paraguai como principais exportadores.

    Brasil: gigante na exportação e alvo do crime organizado

    Maior exportador de gado do mundo, o Brasil é também um dos maiores fornecedores dessas pedras preciosas. O potencial de lucro é tão alto que organizações criminosas já estão de olho: em São João da Boa Vista (SP), criminosos armados roubaram quase R$ 300 mil em pedras de vesícula durante um assalto a uma fazenda.

    Um negócio bilionário e pouco conhecido

    Segundo José de Oliveira, diretor da empresa Oxgall, especializada no comércio desses cálculos, os valores variam conforme a cor e pureza. “Pagamos entre R$ 340 e R$ 800 por grama, dependendo da qualidade”, afirmou em entrevista ao Wall Street Journal.

    A frase final resume bem o fenômeno:
    “Pra que ouro quando você tem vacas?”

    O “ouro bovino” é, sem dúvida, um dos tesouros mais inusitados e valiosos escondidos nos pastos do mundo.

  • A incrível história da primeira plataforma de pouso para OVNIs do mundo, no Canadá

    A incrível história da primeira plataforma de pouso para OVNIs do mundo, no Canadá

    Pouca gente sabe, mas a primeira plataforma oficial de pouso para OVNIs do planeta foi construída em 1967, em St. Paul, na província de Alberta, no Canadá. E não se trata de uma mera excentricidade local: a obra teve apoio governamental e foi inaugurada por ninguém menos que Paul Hellyer, o então ministro da Defesa Nacional do Canadá.

    A estrutura é impressionante. Composta por uma coluna de concreto que sustenta uma plataforma circular de 9 metros de diâmetro e 130 toneladas, o local foi erguido como parte das comemorações dos 100 anos de independência do país. Mas há um detalhe ainda mais curioso: sob a plataforma está enterrada uma cápsula do tempo, que só será aberta em 2067, exatamente um século após a construção.

    Logo à frente da estrutura, os visitantes encontram o Centro de Informações sobre OVNIs, que tem o formato de um disco voador. Lá é possível explorar uma exposição com fotografias, objetos e relatos ligados ao fenômeno extraterrestre, tornando o local um ponto turístico único para quem se interessa por ufologia.

    O projeto foi lançado em um momento simbólico, quando a distância entre Marte e a Terra era de apenas 55 milhões de quilômetros, em uma das aproximações mais favoráveis para uma hipotética visita interplanetária.

    Além de ser um convite pacífico aos possíveis visitantes de outros mundos, a plataforma é hoje uma atração que movimenta o chamado turismo ufológico, atraindo milhares de curiosos e entusiastas dos discos voadores muito à semelhança da famosa Área 51, nos Estados Unidos.

    Então, se algum dia você estiver no Canadá e avistar um OVNI procurando vaga para pousar, já sabe: St. Paul tem um espaço reservado e oficial para isso.